Revisão Estratégica TI

Mapas Mentais e Fundamentação - Prova TCE/RN

Home

Questão 55: Criptografia Assimétrica

GABARITO: ERRADO

"Para assegurar a confidencialidade de um documento por meio de criptografia assimétrica, o remetente deve cifrar a mensagem utilizando sua própria chave privada."

Fluxograma de Decisão: O Uso das Chaves

Objetivo: CONFIDENCIALIDADE

(Só o destinatário pode ler)

Cifra com a
Chave PÚBLICA do Destinatário
Somente a Chave Privada do Destinatário poderá abrir (decifrar).

Objetivo: AUTENTICIDADE / ASSINATURA

(Provar quem enviou)

Cifra/Assina com a
Chave PRIVADA do Remetente
Qualquer um com a Chave Pública do Remetente verifica que foi ele. Não há confidencialidade aqui.

Fundamentação Teórica

A criptografia assimétrica (ou de chave pública) utiliza um par de chaves: uma Pública (compartilhada com todos) e uma Privada (mantida em segredo absoluto pelo dono).

O erro da questão é crasso: se o remetente cifrar com a sua própria chave privada, qualquer pessoa no mundo poderá usar a chave pública desse remetente para abrir a mensagem. Ou seja, não há confidencialidade nenhuma. O que ele fez, na verdade, foi gerar uma espécie de Assinatura Digital (garantindo Autenticidade e Não-Repúdio).

💡 O que você PRECISA saber (Satélites):

  • Algoritmos Assimétricos mais cobrados: RSA, ECC (Curvas Elípticas), ElGamal, Diffie-Hellman (focado na troca de chaves).
  • Desempenho: A criptografia assimétrica é muito lenta computacionalmente. Por isso, na prática (ex: SSL/TLS), usa-se a assimétrica apenas para combinar uma chave simétrica de sessão. A partir daí, usa-se a simétrica (muito mais rápida).
  • Chave Simétrica: (Mesma chave para cifrar e decifrar) -> Garante APENAS confidencialidade. Ex: AES, DES, 3DES, RC4.

Questão 56: Firewalls (Stateful Inspection)

GABARITO: CERTO

"Os firewalls de inspeção de estado mantêm uma tabela dinâmica que registra as conexões ativas, avaliando os pacotes de rede com base no contexto da sessão TCP."

Mapa Mental: Evolução dos Firewalls

1ª Geração: Stateless (Filtro de Pacotes)

Analisa pacote por pacote isoladamente (IP origem/destino, portas). Burro e rápido. Opera até a camada 4 (Transporte), mas não entende "sessões".

2ª Geração: Stateful Inspection (O da Questão)

Mantém uma Tabela de Estado (State Table). Ele lembra do *3-way handshake* do TCP. Se um pacote chega dizendo ser resposta de uma conexão que o firewall não viu iniciar, ele bloqueia.

NGFW (Next-Generation Firewall)

Deep Packet Inspection (DPI). Opera até a camada 7 (Aplicação). Consegue bloquear "Facebook" ao invés de apenas "Porta 443". Integra IPS/IDS, Antivírus, etc.

Fundamentação Teórica

A afirmação descreve com perfeição a principal característica dos firewalls *Stateful*. Diferente dos firewalls de primeira geração (estáticos), ele analisa o **contexto**.

Quando uma conexão TCP é iniciada de dentro para fora (um *SYN*), o firewall anota isso em sua tabela dinâmica. Quando a resposta volta (um *SYN-ACK*), o firewall consulta a tabela e percebe: "Ah, eu conheço essa conexão, o usuário interno a solicitou", e deixa o pacote passar de forma mais eficiente e segura. Isso previne ataques de injeção de pacotes forjados em conexões não estabelecidas.

💡 Para aprofundar (Tópico Quente TCE):

  • Firewall Proxy (Gateway de Aplicação): Atua como intermediário absoluto. O cliente conecta no Proxy, e o Proxy conecta no Servidor. É o mais seguro por romper a conexão de rede, mas causa um enorme overhead (gargalo de desempenho).
  • Zonas Comuns: Inside (LAN - confiável), Outside (WAN/Internet - não confiável), e DMZ (Zona Desmilitarizada - onde ficam os servidores web/email acessíveis publicamente, mas isolados da LAN).

Questão 57: BGP (Border Gateway Protocol)

GABARITO: CERTO

"O BGP (border gateway protocol) constitui o principal protocolo de roteamento exterior (EGP) da Internet, funcionando como um protocolo de vetor de caminho (path-vector) para a troca de informações de alcançabilidade entre distintos sistemas autônomos (AS)."

Arquitetura de Roteamento da Internet

AS 100

Usa OSPF (IGP)
eBGP (EGP) Troca de AS-Paths

AS 200

Usa EIGRP (IGP)

Fundamentação Teórica

Esta é a definição de livro do protocolo BGP. A internet não é uma rede única, mas sim uma "rede de redes". Cada rede gerenciada independentemente (como um provedor de internet, uma grande universidade ou empresa) é chamada de Sistema Autônomo (AS).

O protocolo que "cola" a internet e permite que o AS da Claro saiba como chegar no AS da Amazon (AWS) é o BGP. Ele é o ÚNICO Exterior Gateway Protocol (EGP) em uso relevante na internet moderna.

A classificação como Path-Vector (Vetor de Caminho) é crucial. Diferente de protocolos vetores de distância antigos (como o RIP) que contam apenas saltos de roteadores, o BGP registra a lista inteira de ASs pelos quais o caminho passa (ex: para chegar na rede X, o caminho é AS100 -> AS300 -> AS500). Isso garante a prevenção de loops de roteamento em escala global.

💡 Outros Protocolos (IGPs - Interior Gateway Protocols):

  • OSPF: Classificado como Link-State (Estado de Enlace). Usa o algoritmo de Dijkstra (SPF - Shortest Path First). Tem visão topológica completa da rede interna.
  • RIP: Classificado como Distance-Vector (Vetor de Distância). Usa contagem de saltos (máximo 15). Algoritmo de Bellman-Ford. Hoje é legado.
  • iBGP vs eBGP: O BGP usado *entre* AS diferentes é o eBGP (External). Quando roteadores BGP comunicam *dentro* do mesmo AS, chama-se iBGP (Internal) - com regras de propagação diferentes para evitar loops.

Questão 58: Permissões Linux (chmod)

GABARITO: ERRADO

"No Linux, o comando chmod 754 arquivo.txt concede ao proprietário permissões de leitura e execução quanto ao grupo leitura, escrita e execução, e concede aos demais usuários apenas permissão de leitura."

Matemática Octal das Permissões (U-G-O)

bash
$ chmod 754 arquivo.txt
7
User (Dono)
4 (Read)
+
2 (Write)
+
1 (Execute)
rwx
5
Group
4 (Read)

0
+
1 (Execute)
r-x
4
Others
4 (Read)

0

0
r--

Fundamentação Teórica

A arquitetura de permissões do Linux divide os acessos em três categorias estritas, lidas da esquerda para a direita: User (Dono), Group (Grupo) e Others (Outros/Resto do mundo).

O erro da questão foi INVERTER as definições de Proprietário e Grupo em relação aos números do comando. Vamos analisar o que a questão disse vs a realidade:

  • A questão diz: Proprietário = Leitura e Execução (seria o valor 5).
    A verdade do comando (7): Proprietário tem Leitura(4) + Escrita(2) + Execução(1). (Permissão total)
  • A questão diz: Grupo = Leitura, Escrita e Execução (seria o valor 7).
    A verdade do comando (5): Grupo tem Leitura(4) + Execução(1).
  • A questão diz: Outros = apenas leitura (valor 4).
    A verdade do comando (4): Acertou apenas esta última parte.

💡 Comandos Relacionados que caem muito:

  • chown usuário arquivo: Change Owner. Muda o proprietário de um arquivo.
  • chgrp grupo arquivo: Change Group. Muda o grupo de um arquivo.
  • umask: Define a máscara de criação de permissão padrão. (Se a umask for 022, e um arquivo padrão é criado com 666, ele nascerá na prática com 644).
  • Diretórios vs Arquivos: Execução (x) em um diretório significa ter permissão para entrar (cd) nele, não "executá-lo" como um programa.

Questão 51: Cabeçalho IPv6 vs IPv4

GABARITO: CERTO

"O cabeçalho-base do IPv6 tem tamanho fixo e foi simplificado em relação ao IPv4, com as informações opcionais sendo transferidas para cabeçalhos de extensão."

Comparativo Visual

Cabeçalho IPv4

Cabeçalho Base (20 a 60 bytes)
Tamanho variável. Opções embutidas no meio, causando lentidão no roteamento pois cada roteador precisa calcular o tamanho.

Cabeçalho IPv6

Cabeçalho Base (Fixo: 40 bytes)
+ Cabeçalho de Extensão (EH)
+ Cabeçalho de Extensão (EH)
Simplificado. Permite roteamento em hardware ultra-rápido. Detalhes (fragmentação, IPSec) vão para os "vagões extras" (EH).

A assertiva descreve perfeitamente o design do IPv6. Para tornar a internet mais rápida, o comitê retirou os campos não essenciais do cabeçalho principal e criou a estrutura de Extension Headers (EH).

Questão 52: SAN vs NAS

GABARITO: ERRADO

"Em soluções de armazenamento, a arquitetura SAN atua no nível de arquivo, enquanto a arquitetura NAS atua no nível de bloco."

Inversão de Conceitos Clássica

SAN

(Storage Area Network)

Nível de BLOCO

O servidor "enxerga" o disco cru como se estivesse fisicamente conectado na placa mãe. Usa protocolos pesados como Fibre Channel ou iSCSI. Ideal para Bancos de Dados.

NAS

(Network Attached Storage)

Nível de ARQUIVO

O usuário enxerga "Pastas" na rede. Ele já possui um sistema de arquivos próprio embutido. Usa protocolos como NFS, SMB/CIFS. Ideal para servidores de arquivos normais.

A banca trocou os conceitos. Lembrete mnemônico: NAS = NASce Arquivo.

Questão 53: Kubernetes (Pods e Contêineres)

GABARITO: ERRADO

"No Kubernetes, um Pod só pode executar um único contêiner, impossibilitando-se o compartilhamento nativo de recursos de rede e armazenamento."

A Anatomia de um Pod

POD (Unidade Atômica do K8s)

Contêiner 1

Ex: Servidor Web Nginx

Contêiner 2

Ex: Agente Coletor de Logs

Mesmo Namespace de Rede (Falam-se via localhost)
Compartilham os mesmos Volumes de armazenamento montados

O Pod é a menor unidade de computação implantável no Kubernetes. Embora o padrão mais comum seja um Pod rodar um único contêiner, ele foi arquiteturalmente desenhado para rodar múltiplos contêineres acoplados. Eles compartilham nativamente rede e volumes.

Dica de Prova: Existem Padrões de Projeto para multi-contêineres muito cobrados: Sidecar (ajuda o contêiner principal, ex: log), Ambassador (proxy para o mundo externo) e Adapter (padroniza saída de dados).

Questão 54: Cloud Computing (IaaS)

GABARITO: CERTO

"No modelo IaaS, o consumidor pode instalar e gerir os sistemas operativos e as aplicações, mas a infraestrutura física da nuvem continua sob responsabilidade do fornecedor."

Matriz de Responsabilidade Compartilhada (NIST)

IaaS (Infraestrutura)

Aplicações (Você)
Dados (Você)
S. Operacional (Você)
Virtualização (Provedor)
Servidores (Provedor)
Rede/Hardware (Provedor)

PaaS (Plataforma)

Aplicações (Você)
Dados (Você)
S. Operacional (Provedor)
Virtualização (Provedor)
Servidores (Provedor)
Rede/Hardware (Provedor)

SaaS (Software)

Aplicações (Provedor)
Dados (Provedor)
S. Operacional (Provedor)
Virtualização (Provedor)
Servidores (Provedor)
Rede/Hardware (Provedor)

A questão acerta a linha que divide as responsabilidades. No IaaS (como um EC2 na AWS), o provedor cuida da tomada de energia até o Hypervisor (Hardware, Fibras, Ar Condicionado). Você aluga a Máquina Virtual crua, tendo controle total do Sistema Operacional pra cima.

Questão 59: BD Relacional (3FN)

GABARITO: ERRADO

"...esquema R(A, B, C, D), em que {A, B} constitui a chave primária. ... C é determinado pela chave {A, B} e que o atributo D tenha uma dependência funcional em relação a C (C -> D)... conclui-se corretamente que a tabela encontra-se na terceira forma normal (3FN)."

Análise de Dependência Funcional

{ A, B } Chave Primária
Determina
C Atributo Não-Chave
Determina
D Atributo Não-Chave
DEPENDÊNCIA TRANSITIVA DETECTADA

Para estar na 3FN (Terceira Forma Normal), a tabela precisa primeiro estar na 2FN (que ela está, pois não há dependência parcial informada) e ter zero dependências transitivas.

Uma dependência transitiva ocorre quando um atributo não-chave (C) determina funcionalmente outro atributo não-chave (D). O correto na 3FN é que todos os atributos não-chave dependam EXCLUSIVAMENTE da Chave Primária principal.

Questão 60: Tipologia de Dados (HTML)

GABARITO: ERRADO

"documentos em HTML são classificados como dados estruturados, uma vez que a utilização de tags de marcação define rigidamente a organização e o esquema dos dados, de forma equivalente à estrutura de tabelas..."

Espectro de Estruturação de Dados

Estruturados
Possuem esquema fixo, rigidez estrutural, linhas e colunas. Ex: Bancos de Dados Relacionais (SQL), Planilhas Excel tradicionais.
Semiestruturados
Apresentam marcações ou tags que separam os elementos sem impor um esquema tabular rígido. Os metadados estão com os dados. Ex: HTML, XML, JSON, YAML. (AQUI ESTÁ O HTML)
Não Estruturados
Nenhuma forma ou organização interna detectável por máquina facilmente. Ex: Arquivos de áudio (.mp3), vídeo (.mp4), imagens, textos de e-mail livres.

A questão mente ao dizer que tags HTML definem "rigidamente" um esquema equivalente a "tabelas de banco de dados". HTML e XML são o maior clássico de dados semiestruturados nas provas.

Questão 61: Bancos NoSQL e JSON

GABARITO: ERRADO

"...o armazenamento de documentos com estruturas aninhadas constitui um impedimento técnico para a realização de consultas em atributos localizados em níveis hierárquicos profundos..."

A Força do NoSQL Orientado a Documentos

// Exemplo de JSON Aninhado
{
  "id": 1,
  "nome": "TCE",
  "endereco": {
    "estado": "RN",
    "cidade": "Natal"
  }
}

Como o NoSQL consulta isso?

Bancos como MongoDB (Documental) permitem consultas diretas em propriedades hierárquicas usando Dot Notation (notação de ponto). O aninhamento não é impedimento, é o recurso central da tecnologia.

db.clientes.find({ "endereco.cidade": "Natal" })

A ausência de schema rígido (schema-less ou schema-on-read) nos bancos orientados a documentos facilita a modelagem de hierarquias complexas sem precisar criar múltiplas tabelas com "JOINs" (chaves estrangeiras). É exatamente o oposto de um "impedimento técnico".

Questão 62: Big Data (Apache Parquet)

GABARITO: CERTO

"...uso de um data lake distribuído [...] adoção de formatos de arquivo colunares, como o Apache Parquet, é uma prática recomendada para otimizar a performance de leitura e reduzir o consumo de armazenamento..."

Orientação a Linha vs Colunar

Armazenamento em Linhas (Row-based) - Ex: CSV, Avro

ID: 1Nome: AnaIdade: 30
ID: 2Nome: BobIdade: 25
Ruim para compressão, pois uma sequência no disco mistura texto, número, boolean.

Armazenamento Colunar - Ex: Apache Parquet

ID: [1, 2, 3, 4, 5]
Nome: [Ana, Bob, Carlos, ...]
Idade: [30, 25, 45, 30, 30]
Como dados da mesma coluna são do mesmo tipo, algoritmos de compressão (como Snappy) atuam de forma brutalmente eficiente (ex: Run-Length Encoding). Excelente para queries OLAP (Analytics).

A assertiva resume brilhantemente o propósito do Apache Parquet no ecossistema de Data Lakes (Hadoop/Spark). Reduz custos de Storage (compressão eficiente) e reduz custo de I/O na leitura, pois você só carrega do disco as colunas que a sua query SQL requisitar.

Questão 63: SQL para CDC (Window Functions)

GABARITO: CERTO

"...utiliza a função de janela ROW_NUMBER() para segmentar os registros por contrato e ordená-los cronologicamente... abordagem é eficaz para identificar a versão mais recente... sob a condição de que a coluna data_atualizacao tenha granularidade suficiente..."

Mecânica de ROW_NUMBER() na Auditoria

id_contrato PARTITION BY valor data_atualizacao ORDER BY DESC ROW_NUMBER()
C-001 R$ 500 2024-05-10 14:00:00 Mais novo 1
C-001 R$ 400 2024-05-01 09:00:00 2
C-002 R$ 1000 2024-05-05 10:00:00 1

Na Engenharia de Dados analítica (Data Lakes), tabelas de CDC (*Change Data Capture*) raramente sofrem `UPDATE`. Elas sofrem inserções (`INSERT`) do histórico de alterações (*Append-Only*).

A query da questão aplica o padrão ouro para extrair a "foto atual" (*Current State*): o `PARTITION BY` cria uma janela para cada contrato. O `ORDER BY DESC` joga o mais recente para cima. O `ROW_NUMBER()` gera um contador `1, 2, 3...`. O filtro externo `WHERE rn = 1` garante que você pegue exclusivamente a versão mais fresca do contrato.

A ressalva final da questão está perfeita: Se duas alterações no mesmo contrato ocorrerem exatamente no mesmo milissegundo (falta de granularidade no timestamp), a ordem gerada será aleatória (não-determinística), podendo gerar problemas de consistência na auditoria.